Lula perde 1/3 do voto espontâneo em 1 ano; Bolsonaro lidera, diz Datafolha

Petista tem pior marca em 12 meses Militar do PSL tem curva ascendente Voto estimulado tem pouca alteração

Lula teve queda no voto espontâneo; Bolsonaro lidera, diz Datafolha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu 1/3 da intenção de voto espontânea que tinha há 1 ano. Em junho de 2017, segundo o Datafolha, 15% dos eleitores diziam o nome de Lula quando indagados sobre em quem pretendiam votar para presidente. Hoje, 1 ano depois, a taxa é de 10%.

Quando se considera a taxa de Lula em setembro de 2017, a queda foi ainda maior. Naquele mês do ano passado o petista chegou a ter 18% de intenção de voto espontânea.

Lula foi condenado pela Lava Jato a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O petista cumpre sua pena em Curitiba (PR) desde 7 de abril de 2018.

O PT lançou Lula como candidato, mas o mais provável é que o registro seja rejeitado pela Justiça Eleitoral, pois o petista é considerado ficha suja por já ter sido condenado em 2ª Instância.

A pesquisa Datafolha foi realizada nos dias 6 e 7 de junho de 2018 em 174 cidades com 2.824 pessoas entrevistadas pelo sistema face a face (presencialmente). A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro no TSE foi feito sob o número BR-05110/2018. O custo declarado do estudo foi de R$ 398.344,00, valor pago com “recursos próprios” da Empresa Folha da Manhã S/A, que edita o jornal “Folha de S.Paulo”.

A intenção de voto espontânea é medida com o entrevistador fazendo uma pergunta direta, sem apresentar nomes para estimular o eleitor: “Este ano haverá eleição para presidente da República. Em quem você pretende votar para presidente na eleição deste ano?“. Em teoria, essa pergunta revela o voto mais cristalizado de cada possível candidato.

O Datafolha divulgou neste domingo apenas as intenções de voto espontâneas em Lula e no pré-candidato do PSL, o deputado Federal Jair Bolsonaro, que pontua 12%.

O capitão do Exército na reserva nunca teve 12% de voto espontâneo. Embora suas variações percentuais sejam sempre na margem de erro de uma pesquisa para outra, sua curva é ascendente de janeiro de 2018 para cá.

candidato jun/17 set/17 nov/17 jan/18 abr/18 jun/18
Lula (PT) 15 18 17 17 13 10
Jair Bolsonaro (PSL) 8 9 11 10 11 12
Em branco/ nulo/ nenhum 19 18 19 19 21 23
Não sabe 48 48 46 48 46 46
pergunta: “Este ano haverá eleição para presidente da República. Em quem você pretende votar para presidente na eleição deste ano?”

obs.: o Datafolha não divulgou neste domingo (10.jun.2018) a intenção de voto espontâneo de outros candidatos.

fonte: Datafolha (pesquisa de 6 e 7 de junho de 2018 em 174 cidades com 2.824 pessoas e margem de erro de 2 p.p.)”

VOTO ESTIMULADO

O Datafolha testou nesta sua rodada 4 cenários com diferentes combinações de 21 candidatos (eis a íntegra do questionário). Não houve grandes alterações em relação ao que foi captado pela mesma empresa de pesquisas em abril de 2018. Eis os dados:

candidatos cenário 1 cenário 2 cenário 3 cenário 4
Lula (PT) 30
Fernando Haddad (PT) 1
Jaques Wagner (PT) 1
Jair Bolsonaro (PSL) 17 19 19 19
Marina Silva (Rede) 10 15 14 15
Ciro Gomes (PDT) 6 10 10 11
Geraldo Alckmin (PSDB) 6 7 7 7
Alvaro Dias (Podemos) 4 4 4 4
branco/nulo/nenhum/não sabe 21 33 33 34
pergunta: “Alguns nomes já estão sendo cogitados como candidatos a presidente. Se a eleição para presidente fosse hoje e os candidatos fossem estes, em quem você votaria?”

obs.: o Datafolha não divulgou neste domingo (10.jun.2018) a intenção de voto de todos os candidatos. Apresentou apenas os seguintes dados: “Manuela D’Ávila (PC do B) e Rodrigo Maia (DEM) oscilam entre 1% e 2%. Aldo Rebelo (SDD), Fernando Collor de Mello (PTC), Flávio Rocha (PRB), Guilherme Afif (PSD), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo), João Goulart Filho (PPL), Josué Alencar (PR) e Levy Fidelix (PRTB) oscilam entre 0 e 1%. Paulo Rabello de Castro (PSC) não alcança 1% em nenhum cenário”.

fonte: Datafolha (pesquisa de 6 e 7 de junho de 2018 em 174 cidades com 2.824 pessoas e margem de erro de 2 p.p.)

Observações que podem ser feitas a respeito dos resultados do Datafolha:

  • Queda de Lula no voto espontâneo – o eleitor parece aos poucos entender que é improvável que o petista seja candidato. Sua queda na pesquisa espontânea é 1 sinal inequívoco dessa percepção entre os entrevistados;
  • Jair Bolsonaro com 1/5 dos votos – o capitão do Exército na reserva parece ter se consolidado em torno de 20% das intenções de voto. Na pesquisa Datafolha, teve 19%. No DataPoder360 do final de maio, registrou 21% em 1 cenário parecido ao do Datafolha. Bolsonaro também parece em ascensão no voto espontâneo e 77% dos seus eleitores dizem que não mudam mais de posição (segundo o DataPoder360);
  • Marina Silva – a pré-candidata da Rede aparece como 2ª colocada em cenários sem Lula. No DataPoder360 ela surge numericamente atrás de Ciro Gomes (PDT). Por que isso acontece? Apesar de estar há bastante tempo na vida pública e ser uma política tradicional, Marina é hoje entre os pré-candidatos competitivos o nome que projeta uma imagem do que seria o mais próximo do “novo” no imaginário popular. Em pesquisas com entrevistas face a face, ela tende a ser a depositária de preferências mais epidérmicas, de 1 eleitor ainda indeciso, mas que “não quer desperdiçar o voto” e faz uma espécie de “pit stop” com a candidata da Rede. Quase ninguém tem vergonha de votar em Marina, mas essa condição não indica que o voto seja definitivo. Daí as diferenças de uma pesquisa realizada pessoalmente (na qual parte do eleitorado prefere dizer, por enquanto, que vota na candidata da Rede) e num levantamento ao telefone (quando o entrevistado se sente à vontade para não ser politicamente correto). Isso fica muito claramente evidenciado no levantamento telefônico com 10.500 entrevistas do DataPoder360 em maio: só 41% dos que escolhem Marina dizem que suas decisões são finais. Os demais marinistas de ocasião dizem que ainda podem mudar o voto:
FONTEPoder360
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